Thursday, June 30

O homem, sempre o mesmo

O homem sempre exerce, no mundo, suas necessidades e possibilidades de relacionamento.

Através do tempo, do ponto de vista psicológico, o homem é sempre o mesmo, assim como o é biologicamente como organismo. Suas carências, suas necessidades, suas motivações (não o conteúdo, mas a estrutura), sua busca do prazer, seus medos, sua aceitação e não-aceitação, sua integração de limites, o enfrentamento da 'realidade' em que vive etc. - enfim, ele é uma estrutura constante através do tempo.

O que muda? ou o que tem mudado? A percepção que se tem do homem, consequentemente, as teorias explicativas (que são históricas e dependem tanto de descobertas quanto de sua adequação ao seu tempo de atuação), os dados culturais (no sentido antropológico de cultura), em outras palavras, as circunstâncias, esse mundo humano resultante da relação homem-mundo.

Um dos males das teorias psicológicas  deterministas, aristotélicas - psicanalise por exemplo - é conceituar o homem como causa ou como resultado. Lembram de quando Freud, Melanie Klein e outros diziam que todo comportamento humano dependerá da relação que se teve com a mãe, seja através do seio, seja através da realização de desejos incestuosos (Édipo)?

Para os psicanalistas, o que determina  o comportamento humano é o inconsciente, com seus grunhidos  de raiva ou aplausos de satisfação diante do que vivenciava. "O demônio no sotão" como dizia Freud ao falar do inconsciente. Pensando assim eles jamais conseguiam perceber  que a  relação não é uma causa ou um resultado.

Para mim, a relação  é  o  estruturante das percepções,  do conhecimento e  das atitudes. A essência do humano é a possibilidade de estabelecer relações, ou melhor, a essência, a característica do ser, é a possibilidade de estabelecer relações.

A relação homem-mundo é sempre a mesma, uma relação. Sem a integração de limites, ocorria e sempre ocorrerão: angústias, ansiedades, medos, invejas, pânicos e estresse. Era assim antes e é assim agora, nos tempos modernos.

O que desumaniza, o que massifica o homem? Fundamentalmente é o posicionamento nas suas necessidades orgânicas (fome, sexo, sede e sono). Ficar reduzido a resolver problemas engendrados por esses contextos é muito alienante, gera medo, ansiedade, ambição, agressividade, revolta etc.

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Se você quiser aprofundar esse tema, ele está desenvolvido em meus livros: "Psicoterapia Gestaltista - Conceituações" e "A Questão do Ser, do Si Mesmo e do Eu"













"Psicoterapia Gestaltista - Conceituações", Vera Felicidade A. Campos
"A Questão do Ser, do Si Mesmo e do Eu", Vera Felicidade A. Campos


verafelicidade@gmail.com

Wednesday, June 29

Continuamos aristotélicos


Continuamos aristotélicos. Isso é muito ruim, distorce e consagra explicações causalistas, dualistas e elementaristas como já escreveu Kurt Lewin em seu artigo "Teoria de Classe, Teoria de Campo". 
 
Antes, quando não se conhecia as estruturas e os processos contextualizadores dos fenômenos, não se podia estabelecer leis globalizantes esclarecedoras dos mesmos: as explicações dos acontecimentos, quando surgiam, eram pela via sobrenatural, pela via mágica ou pelo que se pensava ser "natureza própria" ou "estado natural" das coisas. 

Aristóteles dizia que as pedras retiradas do seu estado natural - terra -, pela sua natureza queriam voltar para seu lugar próprio - caiam no chão. As penas, as folhas, os corpos mais leves, quando se afastavam do chão, também estavam procurando seu lugar natural - o céu. Não se conhecia a lei da gravidade para explicar a queda livre dos corpos. 

Hoje, quando consideramos a violência, a velocidade, o excesso das grandes cidades como causa do estresse e do medo, datamos esse estresse e medo como índices de modernidade. Não é isso, é a impotência experimentada, vivenciada diante dos limites não integrados. Muda tudo pensar assim, integramos a relação, saímos do causalismo pontualizador (elementarista) aristotélico. 

Limite, impotência diante do medo, sempre existiram para o homem diante do "pélago revolto" (Camões), das doenças, do medo das cobras nas terras africanas, de Lampião no nordeste brasileiro etc. 


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