Thursday, August 17

Como lidar com a pressão diante das tarefas




Toda tarefa visa um objetivo, entretanto esse objetivo pode se esgotar na própria realização das tarefas ou ultrapassá-las. Quando os objetivos se esgotam na própria realização das tarefas, surge tranquilidade e bem-estar. Quando tal não acontece, surge expectativa traduzida por medo e ansiedade - é a conhecida pressão, o estresse. Cotidianamente estudantes vivenciam essa situação com a pressão dos vestibulares, ENEM e exames. Também são exemplificadores dessa pressão esperar resultados de exames de saúde, tanto quanto expectativas de conseguir emprego através de concurso.

Quanto mais preparado e capacitado se está para o que se propõe atingir, mais confiança, mais certeza, menos expectativa, entretanto, essa regra de ouro frequentemente é quebrada por dados aleatórios, pois a própria aposta, o processo, é um crivo. Depender de um exame comprovador de higidez ou mobilidade, por exemplo, ultrapassa os referenciais do examinado, do apostador, enfim, do indivíduo, pois se torna necessário a complementação de seus processos através de dados dele fugidios.

Muitas vezes nos vemos em situações nas quais aceitamos e entendemos os processos, mas dependemos de outros dados para sua complementação, de outras realidades que os reconfigurem e neste momento aceitamos a impotência ou sucumbimos à mesma. No último caso, isso gera expectativa, faz pressão, dá medo, dá ansiedade. Tudo que ultrapassa os próprios contextos, tudo que esgota a autonomia, pode gerar pressão, expectativas traduzidas por medo, por atitudes mágicas de implorar pela ajuda divina, por exemplo, tanto quanto de utilizar o outro como apoio, como base para realização dos próprios objetivos, mesmo que enganando.

Pressões existem e variam em função da falta de autonomia, da falta de vivência do presente. Perceber o processo, suas implicações, e aceitá-las, minimizam as pressões, o estresse. A facilidade ou dificuldade em globalizar os processos, frequentemente endereçam indivíduos para as psicoterapias.


Thursday, August 10

Papéis sociais - mudança de comportamento



As sociedades em seus desenvolvimentos geralmente estabelecem regras e padrões. Esses modelos sociais são datados. Tempo de validade também existe para eles, desde que os questionamentos individuais, as estruturas econômicas, as vivências relacionais e psicológicas tudo definem e subvertem. São as transformações, as adaptações, as mudanças que aparecem, continuam ou são interrompidas. Vinte cinco anos - parâmetro geracional - é uma medida desses pontos de ebulição, de transformação. Exepcionalmente, fatores aparentemente abruptos também são determinantes de épocas, também são marcos. O pós-guerra (1945) é um deles. A morte de muitos homens na guerra levou outras realidades aos lares: de mãe e esposa a mulher foi transformada em provedora, modificando, assim, toda a estrutura relacional com seus filhos: dos lullabies (canções de ninar) às histórias contadas pelos audios, até os contatos no caminho da escola, agora substituído pelos acompanhantes e condutores escolares.

Vinte cinco anos depois, não só a maternidade, também o conceito de paternidade é transformado. Ser pai, agora, é trocar fraldas, fazer mingau, acompanhar boletins escolares, enfim, dividir essas mesmas tarefas com a companheira que já divide o pagamento das contas e o provimento da casa, que já dirige automóveis etc. As mudanças dos papéis sociais que se refletem na maternidade, na paternidade, vão também construíndo e significando novas dimensões para o homem e para a mulher.

A aceitação destes redimensionamentos cria compatibilidades, tanto quanto incompatibilidades. Também produzem resíduos que podem ser atritos, impedindo circulações harmônicas, velocidade condizente com as novas manivelas operadoras, com as novas configurações e demandas. O entrave do sistema cria impasses. Maiores conflitos surgem e às vezes o “pai amoroso” que troca fraldas é o mesmo que esconde o autoritarismo, cobrando direitos, o homem dono do poder. Também não é difícil encontrar as “garotas mimadas”, agora perdidas, soterradas pela quantidade de afazeres, reclamando de como foram enganadas: “não foi para isto que me casei”.

Os papéis sociais podem ser integrados e quando tal acontece tudo é harmônico, salutar, bem diferente de quando vivenciados como aderência, como anexo, imagens, papéis que cobram retribuições, que querem garantir sistemas, filhos e evitar fracassos.

Cada vez é mais necessário perceber o que é estar integrado às vivências e o que é usado como relações instrumentalizadas para aplacar necessidades e realizar demandas contingentes ou suprir insegurança e manter garantias.